As Portas Que Eu Fechei
Retrato de um passado não curado.
Cresceu sentindo o vazio de um pai que o abandonou e de uma mãe sempre ausente. Tenta comprar o amor que nunca teve por isso oferece presentes ao pai que mal o nota e responde aos pedidos da mãe que só o procura quando precisa de dinheiro.
Carrega em si a dor do abandono, e talvez por isso, repete padrões. Foi deixado por uma ex que seguiu outro caminho com outro homem, e quando eu percebi que ele também era feito de ilusões, escolhi ir embora. Mesmo com outra, mantinha a porta entreaberta, como quem precisa de opções para não se sentir só. Mas eu fechei todas as portas, bloqueei tudo.
Nunca sofri de dependência emocional. Sempre fui racional, com os pés no chão e o coração em alerta.
Aprendi que alguns homens se revelam aos poucos, e que é preciso ser emocionalmente inteligente para não ser engolida pelo caos deles. Ser dona de si, ter opinião e vontade própria — essa é a única forma de não ser manipulada.
Eu escolhi seguir leve, sem carregar o que não era meu.
Fechar aquela porta foi a maneira mais bonita que encontrei de dizer a mim mesma: “você merece paz, não provas.”
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